Do vício no trabalho, em chocolate ou drogas pesadas, realmente somos todos viciados.

A animação “Why We Are All Addicts?” (Por que somos todos viciados?) tem só 4 minutos, mas consegue mostrar questões filosóficas muito profundas:

  • O que é o vício?
  • Será que somos todos viciados?
  • Caso sim, por quê?

Assistindo identificamos pontos em comum com a meditação Vipassana, que também pode ser uma ferramenta valiosa para lidar com os desafios mostrados no vídeo e falamos um pouco na sequência.

 

Animação “Por Que Somos Todos Viciados?”

Você pode assistir ao vídeo em inglês, ligar a legenda em português no vídeo ou ler a tradução logo abaixo.

Para assistir com legenda, aperte o play abaixo e então no primeiro ícone da direita, em seguida no ícone de roda dentada > Legendas > Selecione o idioma de preferência:

 

Animação feita pelo artista Yan Dan Wong em colaboração com projeto The School of Life

 

A narração da animação é do escritor suíço Alain De Botton, criador do projeto School of Life, uma organização global dedicada ao desenvolvimento da inteligência emocional.

Fizemos a tradução livre do texto para português:

“Nós operamos com algumas imagens do viciado: uma pessoa com uma agulha de heroína em um parque ou que bebe uma garrafa de gim em uma bolsa de papel às nove da manhã ou que aproveitam todas as oportunidades para acender outro cilindro de maconha .

Por mais dramáticos e trágicos que sejam os casos de dependência, eles são extremamente reconfortantes (“reassuring” em inglês) para a maioria de nós – porque localizam o viciado longe da experiência comum, em algum lugar fora do palco, na terra da semi-criminalidade e da avaria total.

Tais exemplos são perigosamente lisonjeiros, porque categorizam o vício de uma maneira sentimental, o que deixa a maioria de nós fora dessa definição. E ao mesmo tempo nos afasta de se identificar, consequentemente de simpatizar, com as ​​vítimas do vício.

Há, na verdade, muito mais viciados do que pensamos. Na verdade, se olharmos o assunto diretamente: somos praticamente todos viciados. As estatísticas oficiais sobre o consumo de drogas duras ou álcool não começam a dar uma representação justa da questão.

Precisamos definir o vício de uma nova maneira: o vício é a dependência maníaca de algo, qualquer coisa, para manter nossos pensamentos obscuros distantes. O que indica adequadamente o vício não é o que alguém é viciado, pois podemos nos tornar viciados em praticamente qualquer coisa. São os motivos por trás da sua dependência e em particular o desejo de evitar encontrar os conteúdos de sua própria mente.

Estar dentro de nossas próprias mentes é, para a maioria de nós e muito compreensivelmente, uma experiência que induz à ansiedade profunda. Estamos cheios de pensamentos que não queremos lidar adequadamente e sentimentos que estamos desesperados para não sentir. Há uma quantidade infinita de pensamentos de raiva e tristeza, que tomaria um grau incomum de coragem para enfrentar.

Experimentamos uma série de fantasias e desejos de que temos um enorme incentivo para desautorizar, devido à medida em que eles violam nossa auto-imagem e nossos compromissos mais normativos.

Não devemos nos orgulhar porque não estamos injetando algo em nossas veias. Quase com certeza, estamos fazendo algo com igual compromisso. Estamos verificando as novidades em intervalos de quatro minutos, para manter as notícias de nós mesmos a distância. Nós estamos fazendo esporte, esgotando nossos corpos com a esperança de não ter que ouvir nossas mentes. Nós estamos usando o trabalho para nos afastar do verdadeiro trabalho interno que estamos nos esquivando. Os vícios soam como justificativas para o mundo.

Para obter uma medida de nossos níveis de dependência, precisamos apenas considerar quando foi a última vez poderia ter sido que pudemos sentar-nos sozinhos em uma sala com nossos próprios pensamentos, sem distração, associando-se livremente, ousando vagar para o passado e futuro, permitindo-nos sentir dor, desejo, arrependimento e entusiasmo.

Podemos começar a ver o quanto temos em comum com o viciado tradicional. Quando nos encontramos frente a frente com eles, não estamos encontrando nada especialmente estrangeiro, apenas uma parte de nós mesmos em uma forma menos respeitável – abrindo novas oportunidades de bondade, para com eles e para nós.

Poderíamos começar a pensar também sobre como podemos nos livrar da nossa tentativa viciante escolhida. Precisamos perder o medo de nossas mentes. Precisamos de uma sensação de segurança coletiva em torno de enfrentar a perda, a humilhação, o desejo sexual e a tristeza, sabendo que teremos de continuar correndo enquanto não reabilitarmos nossos sentimentos.

Do outro lado do vício é, em certo sentido, a filosofia – entendida como o exame paciente, sem medo e compassivo dos conteúdos de nossas próprias mentes.”

Alain De Botton e ilustrações de Yan Dan Wong

 

Como Meditar pode Ajudar

O autor fala sobre a filosofia como ferramenta para conhecer a própria mente. A meditação para mim é uma ferramenta poderosa também.

Algumas pessoas talvez pensem que meditar é uma prática zen, para pessoas que já são calmas e concentradas. Uma pessoa meditando pode realmente parecer muito tranquila, mas na verdade pela cabeça do meditador está passando um turbilhão de pensamentos, desafios e lutas pessoais.

Se de um lado o objetivo do vício é fugir do que está se passando na mente. A meditação está do lado oposto, com objetivo de: olhar para os conflitos internos. Aceitar nossos apegos ou aversões. E pouco a pouco ir desenvolvendo a habilidade de não reagir a eles é o que aprendemos no curso de meditação Vipassana.

Essa prática tem me ajudado a ter menos medo de enfrentar os desafios da minha vida. Então sinto menos vontade de fugir ou encontrar distrações. Como consequência, vou diminuindo meus vícios no que quer que seja: no celular, no trabalho e dinheiro, bens materiais, no meu marido (pois é, somos viciados em pessoas também!), entre tantos outros.

A meditação é um trabalho diário e que requer bastante esforço. Mas os resultados são lindos e muito compensadores! Escrevi sobre como o processo de aprender a meditar tem me ajudado. E também como se inscrever em um curso Vipassana, que acontecem em vários cantos do mundo e são gratuitos.

Bom, o primeiro passo me parece ser identificar que precisamos melhorar, evoluir. Buscar as ferramentas para fazer isso, o segundo. Usá-las e colocar em prática, o terceiro. Dia após dia.

Só tudo isso! Heheh! Sempre em frente e que a gente tenha êxito na nossa caminhada! (:

 

O que achou sobre essas reflexões? Vamos trocar ideias nos comentários!

 

Autor

Oi! Sou co-fundadora do Local Planet e diretora da Enlink, agência de marketing digital. Nascida e criada em Foz do Iguaçu - PR, pratico escalada em rocha e corrida de rua, sou DJ no Brothas N Sista, fã de alimentação saudável e programações culturais.

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