Fazer uma boa revisão de carro antes de partir para viagem, com o apoio e estrutura da sua cidade, faz com que as coisas fiquem muito mais fácil que estar em território desconhecido na estrada.

Então, depois de escolher o carro ideal para viajar é hora de deixar ele em perfeitas condições, livre de ruídos ou possíveis problemas.

Continue lendo para ver os principais pontos da revisão do carro para encarar expedições ou longas viagens:

Ojos del Salar, no Deserto do Atacama

Ter o Manual do Carro sempre à mão:

Antes de começarmos com a parte mecânica, vale reforçar que o manual do veículo é a principal fonte para conhecer seu carro.

Desde necessidades de manutenção, à parte mecânica, especificações das peças adequadas e procedimentos em necessidade de troca, quais óleos e fluídos utilizar.

É imprescindível tê-lo a disposição impresso ou digital em PDF.

Checar mecânica Básica:

Deixe a mecânica em dia, não deixe para resolver problemas possíveis ou já existente na última hora da viagem.

O ideal é testar por um tempo o carro depois de arrumar defeitos e ruídos, pois podem voltar ou até surgir novos (algum cabo solto ou peça mal ajustada) pelo fato de ter havido uma intervenção mecânica.

Depois de converter nossa camionete em camper, a gente testou até o último minuto e descobrimos um problema na parte elétrica horas antes de pegar estrada.

Observe atentamente o motor para verificar vazamento de fluídos e óleo. Muitas vezes simples trocas de mangueiras ressecadas podem resolver o problema.

Uma dica que aprendi do jeito mais difícil: evite usar peças paralelas! Barganhe o máximo possível e adquira as originas. Os preços das peças pode variar muito e vale a pena uma boa pesquisa de preço.

Estar com todos os itens abaixo em dia pode parecer caro, mas na verdade pode poupar dinheiro (e dor de cabeça), com guinchos, mudança de planos etc.

1. Conferir a risca todos os Fluídos e Filtros

Os fluídos possuem quilometragem de troca, que constam no manual, então siga as especificações a risca.

Caso não tenha feito controle exato, antes de partir para um longa viagem aconselho simplesmente trocar todos:

  • Óleo do motor
  • Filtro de óleo
  • Filtro de ar
  • Água do radiador – adicionar anti-congelante se for para locais muito frios
  • Fluído de freio
  • Óleo de caixa de câmbio
  • Engraxar cruzetas

 

2. Checar a Suspensão e Molas

Vale a pena suspender o veículo em rampa elevada e observar com atenção toda a base do carro. Converse com seu mecânico sobre tudo que pareça estranho.

Um problema comum de suspensões são as buchinhas que interligam as peças. Há várias delas em um carro e ressecam rápido, sendo qualquer trincado razão para substituí-las, pois o custo é baixíssimo.

No mais, os problemas de suspensão se apresentam de forma clara. Em nossa Xterra adicionamos uma mola extra em cada uma das suspensões traseiras, assim ganhamos um reforço para suportar o peso e estradas duras. Resolvermos fazer isso já durante a viagem, após a mola se partir ao meio duas vezes. Então caso vá pegar muita estrada de chão, recomendamos fazer antes da partida.

 

3. Revisar sistema de Freios

Disco e pastilha de freios precisam estar em excelente estado. Da mesma forma como os freios de lona, geralmente traseiros, que por vezes precisam ser limpos e reforçados.

Esse sistema é composto de inúmeras peças e qualquer uma que tenha desgaste ou ranhuras deve ser trocada.

 

4. Revisar e turbinar a parte Elétrica

– Bateria: verificar a potência e carga, deixando na melhor condição possível. Na nossa camionete colocamos uma bateria de excelente marca nacional, com 100 Ahm e bateria de 90A hm. Vale a pena deixar uma pequena margem e foi a maior bateria que coube no espaço da bateria no carro.

Nós optamos também por instalar uma bateria auxiliar, para poder ligar luzes, carregar equipamentos e cooler elétrico. Instalamos uma bateria de gel 35Ahm na parte da frente do carro, que é carregada diretamente pelo alternador do carro, quando este esteja rodando, nos oferecendo uma autonomia de pelo menos 2 a 3 dias quando o carro está parado.

– Alternador: revise o alternador em uma boa auto elétrica. Componentes como polia, rolamentos e demais desgastes costumam dar problema acima dos 120 mil km.

5. Checar os Pneus

Verifique se seus pneus estão de acordo com o tipo de estrada que irá enfrentar, em perfil (tamanho) e desenho (ex: 50% terra, 50% asfalto). Em geral perfis maiores são mais resistente e poupam o carro de impactos de buracos.
Invista em uma marca de qualidade, pois essas são muito mais resistentes a possíveis furos e os pneus conseguem rodar muito mais, que acaba até sendo mais em conta do que imaginou.
O pneu reserva deve estar em excelente condição, e assegurar que tenham a mesma medida dos principais. Honestamente, não vejo a necessidade de um segundo pneu extra e muitos overlanders qua resolveram carregar um segundo se arrependeram.

 

6. Fazer Balanceamento e Geometria

Costumo deixar essas etapas por último, pois muitas vezes intervenções mecânicas podem alterar a geometria.
O balanceamento serve para corrigir imperfeições da roda que a fazem vibrar quando giradas, ocasionadas por pancadas. Adicionando pequenos pesinhos a roda, criam-se micros contra pesos, fazendo com que a roda gire novamente sem vibrações.
A geometria visa corrigir imperfeições nos ajustes da suspensão, tais imperfeições fazem com que o carro puxe para um lado, ocasionando inclusive maior desgaste em uma parte dos pneus.
Ainda, vale dizer que é comum descobrir problemas na suspensão quando tenta fazer a geometria do carro e não consegue fechar um ajustamento perfeito.
Encontre um local de confiança para realizar esse serviço e tire um tempo para testar o resultado em alta velocidade na rodovia.

 

7. Checar Limpadores de Para Brisa

Pegar tempestades com limpadores velhos e ressecados é uma roubada que não vai querer passar. Interessante é partir com limpadores zero bala.

 

8. Proteger Radiador contra insetos

A dica é adicionar telinha para proteger o radiador, que pode ser presa na parte de dentro o para choque dianteiro.
Aprendi isso da pior maneira quando quase fundimos o motor em uma viagem ao Ushuaia, o radiador simplesmente entupiu com tantos insetos, ocasionando o super aquecimento do motor. Assim, podíamos viajar somente no frio da madrugada (e correndo risco de dar perda total no motor ainda).

 

Itens para levar para manutenção na estrada:

Para viagens mais longas e lugares remotos, acredito que seria interessante carregar consigo os seguintes itens (levo em consideração para tanto a necessidade e o espaço que ocupará no carro e assim as disponho na ordem abaixo):

 

Itens Básico para Qualquer Viagem

Confira todos os itens básicos de segurança:

– Macaco

– Triângulo

– Cabo de Chupeta: uma das roubadas mais comuns é deixarmos a bateria morrer. Um cabo de chupeta é algo simples e pequeno para se carregar e sempre encontra uma boa alma que pode lhe dar uma carga. Um opcional mais sofisticado seria um Auxiliar de Partida, que pode ser carregado na tomada e oferece carga auxiliar. Existem alguns do tamanho de um HD externo, outros grandes com mais potência. Um pequeno de qualidade costuma ser suficiente

 

Itens Básico para Viagem Longa

– Enforca Gato: cintas de nylon, tipo as de fechar malas em aeroporto. Possuem vários tamanhos e são extremamente versáteis, úteis e resistentes. Podem ser usadas para ajustar cabos soltos, para-choques frouxos, mangueiras encostando em partes aquecidas do motor etc.

– Lâmpadas e fusíveis extras: tenha todas as lâmpadas extras, sobretudo as de farol. A troca destas lâmpadas costuma ser extremamente fácil. Caso veja alguma dificuldade, pare em qualquer elétrica e eles te orientam como trocar. Da mesma forma os fusíveis, que podem queimar desativando toda uma parte elétrica do carro, assim, é só abrir a caixa de fusível, geralmente abaixo da bateria, do volante ou ambos os lugares, e verificar qual deles tem a ligação rompida.

– Óleo do Motor: caso o carro rode com óleo abaixo do mínimo, estará correndo sérios riscos de arruinar todo o motor.
Aditivo água do radiador extra (1litro): esse fluído é indispensável ao resfriamento do motor, seu baixo nível pode ocasionar a super aquecimento deste, que será apontado no ponteiro de temperatura do motor no painel. Seja qual for o defeito, será necessário manter o nível correto desse fluído e pode misturar a dose certa de água junto ao aditivo, para sanar temporariamente a questão até estancar o vazamento.

– Cabo de Reboque: já existem cintas de nylon de tamanho reduzido suficientes para cumprir essa função. Existem kits que além do cabo de tração possuem ganchos para fixação e até catracas de tração. Acredito que o cabo com ganchos de fixação seja suficiente, pois o uso da catraca é útil em situações muito específicas. Sempre teste o uso deste acessório antes, não vai querer aprender tudo em meio a um lamaçal, é possível verificar no manual os locais adequados para fixar o reboque em seu veículo, geralmente os carros já dispõem de local próprio.

– Correia do Alternador: se trata de uma cinta de borracha que move todo o sistema do motor, que após longo uso e desgaste costuma dar problema. E pode ser difícil de ser encontrada na exata medida que precisa em pequenas cidades de interior. A troca da mesma é bem fácil e pode ser feita por qualquer mecânico. Seu desgaste pode ser verifica quando seu motor começa a apitar, parecendo estar patinando e simplesmente pode observar folgas e desgastes na correia.

– Ferramentas Básicas

– Itens obrigatórios diferentes países: lembre-se de checar itens obrigatórios dos países que irá passar

No Geyser el Tatio de carro, no Deserto do Atacama

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Autor

Nascido em Vitória no Espírito Santo e criado em Foz do Iguaçu no Paraná. Gabriel atua como advogado há 7 anos na região da tríplica fronteira de Foz, na esfera acadêmica concluíu mestrado na Universidade de Berkeley na Califórnia. Após 12 anos de experiência em escaladas em rocha e alpina, resolveu levar a aventura mais adiante por meio de um projeto que conciliasse sua carreira e paixão por explorar o mundo.